Tchibum!
28/Fevereiro/2008Em uma brincadeira para testar a memória, percebi que sou muito melhor de trás-para-frente do que de frente-para-trás. Carece explicar, né? Pois então decore os números: 10, 8, 54, 2 e 30. Agora diga-os, na ordem em que os leu, ou seja, de frente-para-trás. De novo, mentalize: 10, 8, 54, 2 e 30. Agora repita os números, a partir do último até chegar ao primeiro. De trás-para-frente, do jeito que eu consigo recuperar mais itens da cachola, e com mais velocidade. Coisa de quem foi alfabetizado em japonês, dizem. Pode ser.
Hoje é quinta-feira e me custa lembrar o que se deu na quinta da semana passada. Mesmo porque foram eventos deveras desagradáveis. Prefiro, agora, relatar o fim de semana, ah, sábado gostoso!
Murilo, por incentivo do tio Hugo, teve sua primeira aula de natação.
Chegamos atrasados, por conta da reunião na escola (que ninguém de lá fique sabendo e se a prô Silvana passar por aqui, que não conte a história à Dona Martha, diretora da instituição!). Corri tanto com o guri nos braços que ele dever pensado que nos preparávamos para a São Silvestre, ou melhor ainda, para os 200 m rasos das Olimpíadas de Pequim.
Mamãe de maiô e touca, Murilo de sunga (cueca? não, Murilo, não é cueca!) e touca, tchibum!
Sempre adorei piscina. Passei boa parte da adolescência em meio aquático, treinando ou competindo. E só vinha adiando a primeira aula natatória do guri por motivos de força maior. Dinheiro, como sempre.
Eu estava tão agitada e ansiosa para a estréia do Murilo nas piscinas nacionais que só depois de algumas músicas consegui sentir a temperatura da água. Um pouco elevada para mim, mas penso que ideal para os pequenos. E eram tantos pequenos!
Uns com menos de dois anos, outros com apenas meses… e o meu Murilo, lindo, um peixinho! Nem parecia o Cascão que por vezes se recusa a entrar na banheira, que detesta xampu no cabelo (embora adore capturá-los na farmácia!), que berra “não” quando vê o chuveiro aberto, que diz “chega” quando se cansa da bucha cheia de espuma…
Cantamos, pulamos, jogamos água para cima, e o meu garotinho estava tão feliz e à vontade que eu mal precisava segurá-lo. Certamente flutuaria por conta própria. Em alguns momentos de alegria, empurrava a água com as pernas e, se não o segurasse, ele escaparia como um sapinho. Ele sorriu boa parte do tempo, riu outro tanto e eu me enchi de satisfação.
Pena que na mesma piscina outro guri se acabava em lágrimas. “Hoje ele está bem”, disse a mãe. Arre, nem quero imaginar como o menino estava na semana anterior. Chegava a ficar vermelho, de tanto gritar. E a mãe, impassível, obrigava-o a participar da roda, da música, da bagunça com a água. Meu pequeno se compadeceu, apontou para o coleguinha e disse “tá chorando”. Consenti. Então, Murilo olhou para o menino, “não chora, bebê”!
O bebê (maior que o Murilo) continuou chorando, até o fim da aula. Fui embora triste por ele, mas tão cheia de contentamento por meu pequeno!